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terça-feira, 9 de junho de 2020

HISTÓRIA DE SÃO DOMINGOS DO PRATA - Edelberto Augusto Gomes Lima











ALGUMAS CURIOSIDADES CUJAS RESPOSTAS E MAIORES DETALHES PODEM SER ENCONTRADOS NAS 497 PÁGINAS DO LIVRO “NOTÍCIAS DO ANTIGO SÃO DOMINGOS DO PRATA E SEUS DISTRITOS...” (Os atuais e os antigos).
1ª - Sabe o nome do Senador estadual que representava o Prata no Congresso Mineiro, no início da década de 1890?
2ª- Sabe qual foi o Agente do Executivo que, eleito democraticamente, renunciou ao mandato, mesmo antes de tomar posse?
3ª- Sabe onde foi sepultado o grande artista Francisco Vieira Servas?
4ª- Sabia que São Domingos do Prata já pertenceu a Itabira?
5ª- Quantos mil quilômetros quadrados possuía o Prata por volta de 1918 e quantos possui hoje em dia?
6ª- Sabia como os índios botocudos enterravam os seus mortos? (Alguma semelhança com os antigos faraós?)
7ª- Sabia quais as recompensas que os botocudos recebiam após as suas mortes, segundo o grau de coragem que demonstravam?
8ª- O que sabe sobre o massacre dos índios botocudos em São Domingos do Prata?
9ª- Alfié já se chamou São José do Alfié?
10ª- Sabia que São Domingos do Prata era disputado para ser um de seus distritos, por alguns prósperos municípios da atualidade?
11ª- Como era a iluminação das ruas de São Domingos do Prata, antes do surgimentos da energia elétrica?
12ª- Sabe quais as peças e utensílios que o aluno devia levar para frequentar um internato, por volta de 1900?
13ª- Sabe quais as matérias eram administradas neste internato?
14ª- Sabia que havia uma escola particular em Gandra, por volta de 1916?
15ª- Sabe desde qual época o Estado teria criado escola no Prata?
16ª- Conhece as histórias das criações das escolas Cônego João Pio Marques Afonso e qual foi o primeiro nome do Grupo Escolar Cônego João Pio?
17ª- Sabia que desde 1893, já se falava na construção de uma ferrovia com passagem por São Domingos do Prata?  (Aliás, duas?)
18ª- Sabe quem foi o pratiano que reconstruiu a antiga igreja da Matriz em 1851?
19ª- Sabe com quais municípios São Domingos do Prata fazia divisas por volta de 1909?
20ª- Sabe quais eram os povoados pratianos por volta de 1918?
21ª- Sabia qual era o nome oficial e original da atual Praça Dr. José Mateus?
22ª- Sabia da existência de uma sociedade de tiro em São Domingos do Prata por volta de 1917?
23ª- Sabe quando foi criada a Colônia Guidoval?
24ª- O que sabe sobre a riqueza florestal de São Domingos do Prata por volta de 1913?
25ª- Conhece os nomes anteriores de Dionísio, Goiabal, Marliéria, Jaguaraçu, Vargem Linda, Alfié e Juiraçu?
26ª- Sabe quais foram as repartições que funcionaram no antigo prédio da prefeitura?
27ª- Sabe quais foram os rios e afluentes que banhavam o território pratiano por volta de 1907?  
28ª- Sabe quando foi a chegada das irmãs de caridade francesas no Prata?
29ª- Sabe quais os nomes do colégio e do orfanato que criaram?
30ª- Sabe as razões pelas quais os primeiros vereadores e o Agente do Executivo eleitos no Prata, renunciaram aos seus mandatos?
31ª- Quais os rios que banhavam o Prata que eram navegáveis?
32ª- Sabe quais as jazidas de minério eram exploradas no Prata?
33ª- Sabia que, por pouco, o nome de São Domingos do Prata seria trocado? Sabe qual seria esse novo nome?
34ª- Sabe quando foi construído o cemitério da Lage (e não da laje)?
35ª- Sabe qual era a população do Prata por volta de 1917 e 1940?
36ª- Sabia que houve disputas por causa de território, entre o Prata e alguns municípios vizinhos?
37ª- Sabe quando houve uma chuva de granizo que destelhou todas as casas da área urbana?
38ª- Sabe quando foi construída a igreja do Rosário?
39ª- Sabia que existia uma Irmandade que administrava o cemitério da igreja do Rosário e que se cobrava uma anuidade?
40ª- Você sabia que no Prata, ainda no século 19, condenavam a devastação das florestas que abundavam a região por, entre outros males, causarem significativas mudanças no clima?
41ª- O que sabe sobre a comemoração do centenário da Paróquia em 1944?
42ª- Conhece os reflexos da revolução de 1930 nas ruas e na política de São Domingos do Prata?
43ª- O que sabe sobre a guerra dos Canudos e a Câmara de vereadores do Prata?
44ª- Sabe quando a mulher pratiana pode votar pela primeira vez?
45ª- O que sabe sobre o poder da mulher pratiana já na década de 1930?
46ª- Onde de tirava a carteira de motorista no início do século 20 e qual a velocidade máxima permitida?
47ª- Sabia que um senador pratiano foi o responsável direto pela escolha de Belo Horizonte, para ser a nova capital de Minas Gerais?
48ª- Conhece passagens das vidas de alguns pratianos que muito contribuíram para o progresso do município na primeira metade do século XX?
49ª- Sabia que existia uma barca que fazia a travessia do Rio Piracicaba em território pratiano e sob a fiscalização da Prefeitura?
50ª- Você sabia que em 1894, o Dr. Antônio Serapião de Carvalho, o primeiro juiz da comarca, conclamava que fossem dados aos nossos pequenos concidadãos os fecundos exemplos da história da humanidade e a do Brasil, mas nunca se esquecer de fazê-lo em relação à da própria terra natal?
51ª- Você sabe dizer os nomes de pelo menos 4 jornais que circulavam semanalmente no Prata, antes de 1947?
52ª – Sabia que o território de João Monlevade já pertenceu a São Domingos do Prata e que Nova Era por pouco torna-se seu distrito?

domingo, 7 de julho de 2019

CRIAÇÃO DO PARQUE FLORESTAL DO RIO DOCE - Edelberto Augusto Gomes Lima

   A ORIGEM DO PARQUE 
FLORESTAL DO RIO DOCE.
(DIONÍSIO–MARLIÉRIA–TIMÓTEO–
SÃO DOMINGOS DO PRATA).
                                  
*Edelberto A. Gomes Lima.
Em junho de 1935, o bispo DOM HELVÉCIO GOMES DE OLIVEIRA celebrou uma missa na então LAGOA NOVA, que ficava em uma região assim descrita em meu livro “A HISTÓRIA QUE SÃO DOMINGOS DO PRATA NÃO CONHECEU”:
“... é de um encanto maravilhoso, às margens da Lagoa Nova que constitui verdadeiro lago cercado poeticamente de frondosas florestas virgens, onde o espírito humano se extasia na contemplação mística das belezas naturais, diante do soberbo espetáculo que nos oferece em todo o seu esplendor tropical.
Dom Helvécio Gomes de Oliveira
Desde antes dessa época, como noticiado em meu livro acima (páginas 129/130/131), Dom Helvécio já vinha mantendo entendimentos com os governos da União e do Estado para a criação ali de um HORTO FLORESTAL E DE UM GRANDE PARQUE NACIONAL.
Em face do pioneirismo e visão de Dom Helvécio, em 18 de julho de 1935, o Prefeito de São Domingos do Prata, em cujas terras ficavam essa imensa área, Dr. EDELBERTO DE LELLIS FERREIRA, assinou o Decreto municipal de nº 117, dando o nome de DOM HELVÉCIO GOMES DE OLIVEIRA, à Lagoa Nova que, a partir desta data, passou a ser conhecida popularmente como a LAGOA DO BISPO.
Dr. Edelberto aproveitou a solenidade do dia 21 de julho de 1935, em que Dom Helvécio, às margens da então chamada Lagoa Nova, lançava a pedra fundamental da futura capela de Nossa Senhora da Saúde, para comunicar a Dom Helvécio a assinatura do Decreto.
Nessa solenidade, Dr. Edelberto fez de improviso, antecedendo ao de Dom Helvécio, um pronunciamento do qual extraio apenas esse trecho:
“(......) salientando que a figura de D. Helvécio, naquele momento histórico, trocando o conforto de seu Palácio arquiepiscopal pela descomodidade daquelas inóspitas plagas, avultava à consideração e aos olhos de todos, colocando-se, assim, num paralelo honroso com José de Anchieta – o esplêndido evangelizador das nossas selvas nos primeiros tempos do Brasil Colônia.
Depois de dizer que a quimera (sonho) de ontem e a esperança de hoje seria a realidade de amanhã, terminou valendo-se da sublimidade da religião para o fecho de seu pronunciamento…” Leu em seguida os dizeres do Decreto acima mencionado.
Manoel Martins Gomes Lima
Após marchas e contramarchas, em 1944, no mandato do então Prefeito, farmacêutico MANOEL MARTINS GOMES LIMA (Neneco), foi criado oficialmente o PARQUE FLORESTAL DO RIO DOCE, em uma extensa área cercada de florestas virgens, riquíssima fauna e flora, etc., que já pertencera, em sua totalidade, ao município de São Domingos do Prata, através do Decreto-Lei estadual de nº 119, de 14.07.1944, sancionado pelo governador Benedito Valadares.

Edelberto de Lellis Ferreira
AS FLORESTAS DA REGIÃO NA VISÃO DO DR. EDELBERTO DE LELLIS FERREIRA.
Quando Deputado estadual, representando a região do leste de minas e a terra em que residia, São Domingos do Prata, teve oportunidade, em um pronunciamento feito na Assembleia Legislativa mineira, de dizer o seguinte sobre a “região constituída pelo vasto triângulo compreendido entre as margens dos rios Doce e Piracicaba...”:
“...........através de floretas colossais, mais frondosas e mais luxuriantes talvez do que as clássicas florestas amazônicas, tão decantadas pelos naturalistas e pelos nossos economistas, para só falar de uma região fertilíssima, verdadeira terra da promissão…”
O Parque Florestal do Rio Doce possui 40 lagos, sendo que o único aberto à visitação pública é o do Bispo, com quase 7 quilômetros de extensão e até 32,5 metros de profundidade, além de 700 ha de espelho d’água. Os seus lagos ficam a 20 metros acima do nível do Rio Doce, não tendo suas águas sido afetadas pelo desastre da Samarco.
A área total do parque é de 35.000 ha e fica a 300 metros de altitude, subtraída dos então distritos de Marliéria e Dionísio (hoje prósperos municípios), na época pertencentes ao município de São Domingos do Prata, podendo incluir também a do município de Timóteo, cujo território, quando se iniciou a demarcação alguns meses após a solenidade acima, ainda pertencia a São Domingos do Prata.



Mais detalhes sobre o tema, na obra acima citada.

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*Natural de São Domingos do Prata, advogado aposentado, autor de 12 livros sobre a história antiga de sua terra natal e dois sobre Sabará no período do império, município do qual é cidadão honorário. Todos os seus livros, em formato impresso, podem ser encontrados, entre outras, na CASA DE CULTURA DE SÃO DOMINGOS DO PRATA.

domingo, 29 de julho de 2018

MANOEL MARTINS VIEIRA


PRIMEIRO CHEFE DO EXECUTIVO DE SÃO DOMINGOS DO PRATA.
UM DOS MAIORES BENFEITORES DO MUNICÍPIO.

Em 1890, um ano após a instauração da República, uma comissão da qual Manoel Martins Vieira fez parte, dirigiu-se até Ouro Preto para reivindicar a criação do município de São Domingos do Prata, já então, desde o período imperial, a mais próspera Vila da região leste do Estado de Minas Gerais.
Em 1º de março de 1890, foi expedido o decreto criando o município, tendo Manoel Martins Vieira sido nomeado Presidente da Comissão de Intendência, tornando-se assim o primeiro chefe do Poder Executivo no município.
De plano, em abril de 1891, ainda como Presidente da Comissão de Intendência, Manoel Martins Vieira edita o Código de Posturas e Regimento Interno, diplomas legais avançados para a época, regulamentando o funcionamento da máquina administrativa e delimitando os direitos e deveres dos habitantes.
Os textos dos diplomas legais estão transcritos, na íntegra, no livro “São Domingos do Prata Subsídios Para a História”, páginas 90 a 133, de autoria do frei Thiago Santiago.
Na eleição realizada em setembro de 1891, a primeira no município, candidatou-se e foi eleito para vereador. Esta Câmara, como relatado em meu livro “Recontando a história de São Domingos do Prata”, renunciou em quase toda a sua totalidade (restou somente um vereador), incluindo o primeiro Agente do Executivo eleito pelo povo.
A partir daí ocupou diversos cargos de relevo, tanto no legislativo como no executivo. Sobre ele declarou Luiz Prisco de Braga em seu livro História de São Domingos do Prata: “Um vulto a quem o município muito deve. Político moderado. Exerceu cargos efetivos e de nomeação”.
Em face de sua forte liderança, foi ainda eleito presidente do Diretório Político Municipal, função na qual pode muito ajudar no progresso de sua terra natal.
Os seus contemporâneos, em reconhecimento à sua liderança e muito do realizado em favor da comunidade, homenagearam-no dando o seu nome à principal Praça da cidade, popularmente conhecida pelo povo como Praça da Matriz, posto nela se localizar a antiga matriz.

FALECIMENTO DE MANOEL MARTINS VIEIRA.
Depois de ficar prostrado ao leito tentando se recuperar de um mal que lhe acometeu, ele, prematuramente, veio a falecer às três horas da tarde do dia 26 de fevereiro de 1909.
O jornal “A Voz Prata”, ao anunciar a sua morte, em suprema síntese, disse:
“Político militante neste município, a cuja história está seu nome ligado desde os tempos da propaganda republicana. Era dotado de espírito altruísta e conciliador, muita vezes esquecendo-se de si, para amparar seus amigos e correligionários.”
O jornal “O Imparcial”, também deu grande destaque ao acontecimento relatando, em síntese:
“(........) Eram dez horas da manhã. Grande número de cavaleiros chegava à fazenda do Paiva, cujo aspecto era constrangedor. Na sala transformada em câmara ardente, estava o morto. As lágrimas confundiam-se. Dentro em pouco sairia o féretro a caminho da cidade. Ali chegando foi o féretro depositado em casa de Manoel Fernandes Barros genro do extinto. (Foi o primeiro esposo da sua filha Rita Martins Vieira).
O enterro foi marcado para 4 horas da tarde. Notamos grande número de amigos do morto e representantes de todas as classes sociais que acompanharam a saída fúnebre até a matriz (..........).
(....) Isso feito, seguiu o enterro para o cemitério do Rosário, onde falaram os srs. Ilídio Lima, Dr. Alonso Starling, padre Pedro Domingues e Egydio Lima, (capitão Dico)......”.
O seu passamento, em face da liderança exercida no município, liderança esta alicerçada nos inúmeros benefícios carreados à comunidade e ao trato sempre respeitoso aos seus habitantes, provocou verdadeira comoção.
Na oportunidade, uma comissão popular, representada por figuras ilustres da cidade, doou à Municipalidade, um retrato do falecido, que deveria ficar exposto no salão de reuniões da Câmara, que na época, funcionava no prédio antigo da Prefeitura.
         Do jornal “O Prateano”, extraí os seguintes trechos:
         “Imponente, magistrais, indescritíveis mesmo a solenidade de colocação do retrato do grande pratiano, Manoel Martins Vieira.
         A comissão popular representada pelos capitães Albano Ferreira de Moraes, Cornélio Coelho da Cunha, Alziro Carneiro e os Srs. Antônio Gomes Domingues e Manoel Nepomuceno, que adquiriu em Itália o retrato do ilustre extinto, ofertou-o à Municipalidade, em nome do povo. Cabia a esta o dever de colocá-lo, condignamente, no salão de suas reuniões. (...).
(....) As crianças das escolas públicas, acompanhadas das exmas. Professoras D. Maria Joaquina Pinto Coelho e Rita Martins Vieira (filha dele) estiveram presentes a toda a festividade recebendo assim uma proveitosa lição de civismo.
Durante a missa, a banda de música São Domingos, regida pelo maestro Linhares, executou diversas marchas.
Após a missa foi o retrato de Manoel Martins Vieira levado em triunfo ao som de maviosas marchas e ao estrepitar de fogos, da farmácia Lima (de propriedade de Joaquim Augusto Gomes Lima, casado com a filha do falecido, Nicolina Martins Vieira), para a casa da Câmara.
(........) Incorporados, os vereadores municipais receberam em frente à casa da Câmara.
Apesar de vasto, o Paço da Câmara não comportou a quinta parte da fina flor da sociedade pratiana que ali se achava presente.
Recentemente pintado, a mando do atual Presidente, o salão da Câmara apresentava um aspecto solene, digno do ato que ali se ia praticar, a glorificação do MAIOR FILHO DO PRATA.” (letra garrafal por minha conta).
Além da presença maciça do povo, compareceram as mais altas autoridades da cidade, inclusive o Juiz de Direito, Antônio Fernandes Pinto Coelho, que foi o orador oficial e Egydio Lima.
            Egídio Lima (Capitão Dico), falou em nome da Câmara Municipal, agradecendo a oferta preciosa que o povo fazia à Edilidade deste município, assegurando que os vereadores municipais terão como farol e guia, na estrada por onde deve trilhar este município, o espírito benfazejo e pacífico, do grande filho do Prata: Manoel Martins Vieira.
Outros oradores participaram, incluindo representantes dos distritos. No final, ecoaram estrepitosas salvas de palma, envoltas com os sons do hino nacional.
         Em síntese, disse o Juiz de Direito em seu discurso:
         ‘(....) à memória do povo pratiano vinha significar a sua imensa gratidão para com aquele que em vida foi o maior propagador do verdadeiro engrandecimento deste município que se orgulha de ter sido o berço natal de tão prestimoso filho, para com aquele que consagrou toda a sua vida, trabalhando e velando pelo bem estar do povo de que ele foi o anjo tutelar (......)’.
         Suas últimas palavras foram abafadas por prolongadas e estrepitosas salvas de palmas, envoltas com os sons patrióticos do hino nacional.”


         O PRÉDIO DA ANTIGA PREFEITURA.
Prédio da Prefeitura e antiga Praça Manoel Martins Vieira.
 O decreto nº 23, de 1º de março de 1890, que criou o município de São Domingos do Prata e elevou o povoado de Freguesia para Vila (somente em 3 de março de 1891, a Vila foi elevada a Cidade), dispunha:
       “A nova vila será instalada depois que os respectivos habitantes ofereçam e transfiram ao domínio do Estado os prédios precisos para cadeia, paço da intendência ou câmara municipal e escola de instrução primária para ambos os sexos.”

         Em cumprimento a determinação legal, foi construído o prédio da antiga prefeitura. Não consegui apurar se a obra foi construída por Manoel Martins Vieira ou Manoel Coelho Gomes Lima (conhecido por Manoel Coelho de Lima). Só sei que foi um dos dois.

         Quando de sua construção o imóvel passou a abrigar, até que se construísse o do novo fórum e cadeia, as dependências da Prefeitura (Paço Municipal), da Câmara de Vereadores, da cadeia pública, o fórum e o salão do Júri.

         Não sei precisar a data da construção do novo fórum e cadeia, embora tenha sido no período do mandato do Capitão Dico (Egídio Gomes da Silva Lima), que perdurou até 31.12.1922.

Fórum e cadeia pública
         Em meu livro “Revivendo a história de São Domingos do Prata”, consta, às páginas 124/127, que em 1912, o Capitão Dico já teria doado o terreno.

         Contudo, com certeza, até o final de 1918 tal não ocorreu, em face do artigo 1º da Lei estadual nº 721, de 30 de setembro de 1918, a seguir transcrito:

“Art. 1º - Fica o Presidente do Estado autorizado a doar à Câmara Municipal de São Domingos do Prata, assinando a respectiva escritura, a parte que o Estado possui na casa em que funcionam, atualmente, a Câmara Municipal, a cadeia e o tribunal do Júri, sita à praça ‘Manoel Martins’, esquina da rua padre Pedro, da mesma cidade, incluindo-se na doação um terreno de vinte palmos de frente, dividindo com dr. Alonso Starling, Antonio Coura, ribeirão Prata e a rua padre Pedro, por cujo terreno passa o esgoto da cadeia, ficando igualmente cedidas todas as servidões no dito terreno, avaliado em um conto de réis.”

O prédio da antiga prefeitura ficava na Rua XV de Novembro (atual Rua Capitão Albano de Morais), em frente à Praça Manoel Martins Vieira (atual Dr. José Mateus de Vasconcelos) e esquina da Rua 21 de Abril (atual Padre Pedro Domingues).


BAILES NO PRÉDIO DA ANTIGA PREFEITURA.
Em ocasiões especiais eram realizados bailes no Salão do Júri. A animação ficava por conta de sanfona, acordeão e violão.
Pelo menos até quando pesquisei, esses bailes perduraram até 1945, como se depreende da noticia a seguir:

           BAILE EM HOMENAGEM AO FARMACÊUTICO MANOEL MARTINS GOMES LIMA.

           O jornal “A Voz do Prata”, edição de 29 de abril de 1945, com o título acima em letras garrafais anunciava:

            “A sociedade pratiana homenageará na noite de hoje o ilustre Prefeito Municipal Farm. Manoel Martins Gomes Lima, oferecendo-lhe um suntuoso baile no salão nobre da Prefeitura, para o que fez distribuir o seguinte CONVITE:

            A Comissão organizadora tem a honra de convidar V. Exma. Família para o baile que será oferecido ao Exmo. Snr. Manoel Martins Gomes Lima, D. D. Prefeito Municipal, no salão da prefeitura no próximo dia 29.

             São Domingos do Prata, 27 – 4 – 945.
                            A COMISSÃO”.

            Em 13 de maio do mesmo ano, o periódico acima mencionado, destacava:

        “Constituiu grande acontecimento social o baile que domingo passado a sociedade pratiana ofereceu ao Prefeito Manoel Martins Gomes Lima. Saudando-o interpretou o sentimento dos presentes o Sr. Francisco de Paula Carneiro de Moraes (Chiquito de Moraes), tendo S.S. agradecido.”


    ALGUNS DADOS FAMILIARES DE MANOEL MARTINS VIEIRA.
Manoel Martins Vieira nasceu em São Domingos do Prata em 08 de outubro de 1854 e faleceu em 26 de fevereiro de 1909. Sua esposa Albina Marques Vieira (ou Vieira Marques), nasceu em Barão de Cocais em 1860, vindo a falecer em São Domingos do Prata, em 20 de novembro de 1947.

Manoel Martins Vieira nasceu na fazenda dos “Martins”, hoje situada no município de Goiabal. Depois de casar-se com Albina Marques Vieira fundou a fazenda “Cachoeira”, no mesmo terreno da fazenda dos “Martins”, onde foi morar com a sua esposa.

O seu sogro era José Vieira Marques (casado com Rita Maria de Jesus) e foi o fundador e proprietário da famosa fazenda do Paiva, existente até os dias de hoje.

Falecendo o seu sogro, foi morar com a sua esposa na fazenda do Paiva, tornando-se proprietário da mesma. Ali morou e nasceu e criou os seus treze filhos.

         Os pais de Manoel Martins Vieira foram José Martins Vieira e Emerenciana Martins de Jesus. Os restos mortais de Manoel Martins Vieira e de sua esposa estão sepultados no cemitério de igreja do Rosário em São Domingos do Prata.

SEUS FILHOS, GENROS E NORAS FORAM:
Nicolina Martins Vieira (Cota – Foi casada com o farmacêutico Joaquim Augusto Gomes Lima), Maria Carolina Martins Vieira (casada com Duval Mendes), Rita Martins Vieira (Quando viuvou casou-se com o também viúvo Coronel Manoel Olympio Magalhães), Carmem Martins Vieira (Carmita), que se casou com José Raimundo Moreira e foi residir em Barão de Cocais, onde criou família e raiz. Maria Martins Vieira (casou com Clóvis Ferreira Mendes, irmão de Duval Mendes), Maria José Martins Vieira (Zita era irmã gêmea de Rita Martins Vieira), casou com Pedro Vieira Marques, Ciro Martins Vieira, José Vieira Lima, Artur Martins Vieira, casou com Alice Mendes, irmã de Duval Mendes e filha de Francisco Ferreira Mendes, João Martins Vieira (Dão), Virgolina Martins Vieira, que se casou com João Gomes de Figueiredo Júnior, Maria José Martins Vieira, Mário Martins Vieira, Manoel Martins Vieira.
Um de seus filhos tinha o apelido de TANÉ (não consegui apurar o seu nome). Ele foi casado com Constância Mendes, também da família Mendes.
 SEUS IRMÃOS:
Joaquim Martins Vieira, José Martins Vieira, Antônio Martins Vieira, Quintiliano Gomes Martins Vieira, Anna Jacinta Martins Vieira, Emília Martins Vieira e Carolina Martins Vieira.
 SEUS CUNHADOS:
Maria Rita Vieira, Narciza Vieira Marques, Maria Clara de Araujo, Maria Joana Domingues, Leandro Gomes Domingues, José Cornélio Silva Perdigão, João Manoel Domingues, Alenir Magalhães Vieira e Cipriano Vieira Marques.
Deixou milhares de descendentes espalhados pelo país, dezenas deles ainda residentes em São Domingos do Prata e outro tanto na região leste do Estado e em Belo Horizonte.

NOTA: Os fragmentos acima foram extraídos de diversos de meus livros sobre São Domingos do Prata antigo, cuja relação publico a seguir:

*Edelberto Augusto Gomes Lima.  

– Advogado aposentado, membro do Conselho Editorial da Editora Del Rey, ex-coordenador do Departamento Jurídico da Associação Comercial e Empresarial de Minas e da Federaminas (Federação das associações comerciais do Estado de Minas Gerais) e autor dos seguintes livros:      
1 - “São Domingos do Prata: Berço e Origem”. (1ª, 2ª e 3ª edição).
2- “Revivendo a história de São Domingos do Prata”.
3 - “São Domingos do Prata: Fragmentos de sua história”.
4- “Recontando a história de São Domingos do Prata”

5- “Dr. Gomes Lima. Um dos grandes vultos da história de São Domingos do Prata”.

6- “Notas biográficas de Manoel Martins Gomes Lima, Janua Coeli de Lellis Ferreira e Dr. Edelberto de Lellis Ferreira - Três pratianos da gema”.

7- “Quatro prefeitos de São Domingos do Prata da primeira metade do século XX”.

8- “Notas sobre alguns prefeitos e eleições em São Domingos do Prata de 1890 a 1947”.

9 – “São Domingos do Prata no período imperial.”

10- Livro digital “São Domingos do Prata: Centro irradiador de mineiridade”, contendo os livros de n.º  1 – 2 – 4 – 5 – 6 e 8 acima.

11. “Genealogia de alguns ascendentes e descendentes, todos com raízes fincadas em São Domingos do Prata ...........”.

12 – “Seleção de notícias sobre São Domingos do Prata antigo.”

13 -“Sabará na imprensa do império”.

14 – “Sabará: Fragmentos de sua história no período imperial”.


NOTA: Alguns dos livros acima, inclusive os sobre Sabará, poderão ser encontrados, entre outras, no acervo da biblioteca do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, nas bibliotecas da Faculdade de Sabará, na municipal de Sabará e na de três Colégios de São Domingos do Prata, além da Casa de Cultura Chiquito de Morais.