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terça-feira, 9 de junho de 2020

HISTÓRIA DE SÃO DOMINGOS DO PRATA - Edelberto Augusto Gomes Lima











ALGUMAS CURIOSIDADES CUJAS RESPOSTAS E MAIORES DETALHES PODEM SER ENCONTRADOS NAS 497 PÁGINAS DO LIVRO “NOTÍCIAS DO ANTIGO SÃO DOMINGOS DO PRATA E SEUS DISTRITOS...” (Os atuais e os antigos).
1ª - Sabe o nome do Senador estadual que representava o Prata no Congresso Mineiro, no início da década de 1890?
2ª- Sabe qual foi o Agente do Executivo que, eleito democraticamente, renunciou ao mandato, mesmo antes de tomar posse?
3ª- Sabe onde foi sepultado o grande artista Francisco Vieira Servas?
4ª- Sabia que São Domingos do Prata já pertenceu a Itabira?
5ª- Quantos mil quilômetros quadrados possuía o Prata por volta de 1918 e quantos possui hoje em dia?
6ª- Sabia como os índios botocudos enterravam os seus mortos? (Alguma semelhança com os antigos faraós?)
7ª- Sabia quais as recompensas que os botocudos recebiam após as suas mortes, segundo o grau de coragem que demonstravam?
8ª- O que sabe sobre o massacre dos índios botocudos em São Domingos do Prata?
9ª- Alfié já se chamou São José do Alfié?
10ª- Sabia que São Domingos do Prata era disputado para ser um de seus distritos, por alguns prósperos municípios da atualidade?
11ª- Como era a iluminação das ruas de São Domingos do Prata, antes do surgimentos da energia elétrica?
12ª- Sabe quais as peças e utensílios que o aluno devia levar para frequentar um internato, por volta de 1900?
13ª- Sabe quais as matérias eram administradas neste internato?
14ª- Sabia que havia uma escola particular em Gandra, por volta de 1916?
15ª- Sabe desde qual época o Estado teria criado escola no Prata?
16ª- Conhece as histórias das criações das escolas Cônego João Pio Marques Afonso e qual foi o primeiro nome do Grupo Escolar Cônego João Pio?
17ª- Sabia que desde 1893, já se falava na construção de uma ferrovia com passagem por São Domingos do Prata?  (Aliás, duas?)
18ª- Sabe quem foi o pratiano que reconstruiu a antiga igreja da Matriz em 1851?
19ª- Sabe com quais municípios São Domingos do Prata fazia divisas por volta de 1909?
20ª- Sabe quais eram os povoados pratianos por volta de 1918?
21ª- Sabia qual era o nome oficial e original da atual Praça Dr. José Mateus?
22ª- Sabia da existência de uma sociedade de tiro em São Domingos do Prata por volta de 1917?
23ª- Sabe quando foi criada a Colônia Guidoval?
24ª- O que sabe sobre a riqueza florestal de São Domingos do Prata por volta de 1913?
25ª- Conhece os nomes anteriores de Dionísio, Goiabal, Marliéria, Jaguaraçu, Vargem Linda, Alfié e Juiraçu?
26ª- Sabe quais foram as repartições que funcionaram no antigo prédio da prefeitura?
27ª- Sabe quais foram os rios e afluentes que banhavam o território pratiano por volta de 1907?  
28ª- Sabe quando foi a chegada das irmãs de caridade francesas no Prata?
29ª- Sabe quais os nomes do colégio e do orfanato que criaram?
30ª- Sabe as razões pelas quais os primeiros vereadores e o Agente do Executivo eleitos no Prata, renunciaram aos seus mandatos?
31ª- Quais os rios que banhavam o Prata que eram navegáveis?
32ª- Sabe quais as jazidas de minério eram exploradas no Prata?
33ª- Sabia que, por pouco, o nome de São Domingos do Prata seria trocado? Sabe qual seria esse novo nome?
34ª- Sabe quando foi construído o cemitério da Lage (e não da laje)?
35ª- Sabe qual era a população do Prata por volta de 1917 e 1940?
36ª- Sabia que houve disputas por causa de território, entre o Prata e alguns municípios vizinhos?
37ª- Sabe quando houve uma chuva de granizo que destelhou todas as casas da área urbana?
38ª- Sabe quando foi construída a igreja do Rosário?
39ª- Sabia que existia uma Irmandade que administrava o cemitério da igreja do Rosário e que se cobrava uma anuidade?
40ª- Você sabia que no Prata, ainda no século 19, condenavam a devastação das florestas que abundavam a região por, entre outros males, causarem significativas mudanças no clima?
41ª- O que sabe sobre a comemoração do centenário da Paróquia em 1944?
42ª- Conhece os reflexos da revolução de 1930 nas ruas e na política de São Domingos do Prata?
43ª- O que sabe sobre a guerra dos Canudos e a Câmara de vereadores do Prata?
44ª- Sabe quando a mulher pratiana pode votar pela primeira vez?
45ª- O que sabe sobre o poder da mulher pratiana já na década de 1930?
46ª- Onde de tirava a carteira de motorista no início do século 20 e qual a velocidade máxima permitida?
47ª- Sabia que um senador pratiano foi o responsável direto pela escolha de Belo Horizonte, para ser a nova capital de Minas Gerais?
48ª- Conhece passagens das vidas de alguns pratianos que muito contribuíram para o progresso do município na primeira metade do século XX?
49ª- Sabia que existia uma barca que fazia a travessia do Rio Piracicaba em território pratiano e sob a fiscalização da Prefeitura?
50ª- Você sabia que em 1894, o Dr. Antônio Serapião de Carvalho, o primeiro juiz da comarca, conclamava que fossem dados aos nossos pequenos concidadãos os fecundos exemplos da história da humanidade e a do Brasil, mas nunca se esquecer de fazê-lo em relação à da própria terra natal?
51ª- Você sabe dizer os nomes de pelo menos 4 jornais que circulavam semanalmente no Prata, antes de 1947?
52ª – Sabia que o território de João Monlevade já pertenceu a São Domingos do Prata e que Nova Era por pouco torna-se seu distrito?

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

PROFESSOR CHRISTIANO DE ASSIS MORAES - Clóvis Moreira

 
 São José do Goiabal, 25 de setembro de 1958

Professor Christiano de Assis Moraes

Clóvis Moreira.
Cidade de Antônio Dias

O Professor Christiano de Assis Moraes, nascido aos 5 de setembro de 1861 e falecido em 1 de maio de 1933, teve por pais Manoel Lúcio de Moraes e Maria Carlota de Assis Moraes. Estudou as primeiras letras com o velho educador Professor Emílio Pereira de Magalhães. A seguir, fez brilhantemente dois anos de curso secundário, em Ouro Preto. Não podendo continuar os estudos, voltou ao torrão natal e foi nomeado professor primário da cadeira masculina de Santana do Alfié. Revelou-se, logo, excelente ministrador de ensino primário. Casou-se em primeiras núpcias com D. Constança Borges de Moraes. Desse consórcio, ficaram os seguintes filhos: José Borges de Moraes, Maria Constança de Morais e Joaquim Constâncio de Moraes. Tornando se viúvo, contraiu mais tarde, segundas núpcias com Maria José Fraga. São frutos desse segundo matrimônio Abelardo de Moraes, Alonso Moraes, D. Nair Moraes, D. Constança Moraes, Alberto Moraes, Geraldo Moraes, Lafayette Moraes, Manoel Lúcio de Moraes, José Cecílio de Moraes, D. Maria Luiza de Moraes, Helvécio Moraes, Domingos Moraes. Publicada esta parte de sua vida, voltemo-nos à personalidade do saudoso professor e sua obra.


Dos grandes vultos do Alfié de outrora, é, sem dúvida, o Professor Christiano de Assis Moraes, (Mestre Christiano, como era conhecido), o expoente máximo, o «primus inter pares». Transportando minha imaginação ao passado tão longínquo da minha infância, com o «acerbo pungir da saudade» a mortificar-me o coração, lá, bem distante, diviso a figura simpática, atraente, quase sempre risonha, do meu querido e saudoso Mestre Christiano. Grande cidadão, excelente chefe de família, modelar como católico praticante, notável educador!! Como professor foi inigualável!! À sua fama de professor eficiente, capaz, emparelhava-se a de «enérgico», às vezes, imaleável.

O que mais lhe temi, antes de com ele tomar contato como seu aluno, foi a fama de enérgico, «brabo», como se dizia então. Esse temor atingia, antes, às raias do pavor. Era, naquela época, a pessoa a quem eu mais temia. No entanto, o medo que lhe tinha, (todos a dizerem que era brabo), desapareceu dentro de poucos dias e, não só passei a amá-lo e estimá-lo, como também ele provou à sociedade, que era o maior amigo dos meninos confiados a seus cuidados para instrução e educação. Era um verdadeiro pai consciente e sincero.

Espírito atilado, inteligência de escol (não havia ainda as carteiras escolares como hoje), lecionava, numa só sala grande, em sua própria casa, um número variável de alunos, sempre mais de 60, desde o I, II, III e IV anos. Um só professor para tanta gente!! Um só turno!

E como dividia bem o tempo!! Ninguém o perdia. Todos trabalhavam, - fazendo seus exercícios, recebendo lições, estudando, enfim.

Lembro-me, e quantos tiveram a dita de terem-no Professor, devem recordar-se com emoção e saudade dos ditosos dias escolares! Nunca o Mestre Christiano iniciou seus trabalhos de lançar luzes nas inteligências ainda em trevas, sem a invocação ao DIVINO ESPÍRITO SANTO e a recitação, em comum do Pai Nosso e Ave Maria. Nunca esquecia ele essa prática religiosa. E, nos últimos minutos do dia, antes de se despedirem do Mestre, encerrava os trabalhos com a prece: «Bendita e louvada seja a Sagrada Paixão e Morte de N. S. Jesus Cristo e louvada a Mãe SS. Amém», Deus esteve sempre presente em sua vida, uma vez que era dotado de uma fé viva e ardente. Quanto fez, procurou fazê-lo sempre bem.

Em 1907, veio a reforma Carvalho de Brito. De um dia para o outro, o professor, que era de antanho, transformou-se em professor moderno, da escola nova, do novo método de ensino. Sepultou-se, ontem, o método velho do ensino primário ressurgiu, no dia seguinte, completamente outro.
Em Itabira, já havia um grupo escolar, funcionando adequadamente ao novo método e com resultados surpreendentes. Acompanhado do Redator de «GOIABAL», menino de então-rumou para Itabira, onde foi fazer um estágio de 15 dias. Voltou entusiasmado com o novo método de ensino.
Agora, não mais -A-B-C-D. Não mais, Bê-á-bá; não mais, F-a-fa. Lembro-me bem dos novos livros adotados: os do I ano (se me não falha a memória), eram de autoria de Alberto Cintra. A primeira lição assim começava, em palavras destacadas, corpo 12: FACA RATO SAPO FIGO PULA BOTA PEGA BOI. Sim. Lê-las sem soletrar. E qual o menino do interior que não conhece uma faca, um rato, um sapo, um figo?  Os pais ficaram admiradíssimos com o novo método de ensino; aprender a ler sem soletrar e sem conhecer as letras do alfabeto!!

Interessante! Milagre! Isso é como saltar do carro de bois para o automóvel. Mas o Mestre Cristiano soube ensinar e educar. Reconhecendo a exiguidade de espaço com que lutava para receber tantos alunos, decidiu-se a construir um prédio escolar e o fez com seu próprio dinheiro. Ninguém o ajudou em tais despesas. Construído o prédio escolar, que era um vasto salão, comunicou o fato à Secretaria do Interior, (hoje da Educação), e, dias depois, recebia a visita de um inspetor técnico. Viu o representante do governo que o salão satisfazia às exigências regulamentares ficou sabendo que o Professor Christiano não tivera auxílio de ninguém, nem mesmo do governo. Deixou no livro de atas uma verdadeira gratulação e salientou o esforço dinâmico e a capacidade e eficiência de Christiano de Assis Moraes. Dias depois, chega um tropeiro com alguns volumes e os entrega ao Professor. Eram as primeiras carteiras escolares e os primeiros livros, caixas de giz, lápis, papel, etc. que a Secretaria lhe enviara. Novidades ressaltavam em tudo quanto chegara para a escola. O quadro negro, também feito à sua custa, medindo uns 3 metros de comprimento por 0,75 de largura, ocupava quase toda a parede da nova sala de aulas. Mandou abrir os volumes, montar as carteiras e colocá-las em substituição ao antiquado mobiliário escolar: bancos, longas carteiras de tabuas toscas, onde faziam os exercícios etc.).

Adquiriu um grande armário para a guarda dos livros e demais materiais, postos à sua disposição para o ensino. Os meninos respiravam, agora, um ar mais agradável. Até o tímpano, (campainha moderna para, os sinais); era uma novidade. O Professor Christiano podia, agora, produzir mais e melhor. E produziu mais e melhor. 16 ou 17 de novembro de cada ano eram as datas dos exames. Exames, dia de festa, flores e alegria. Na casa- do Professor Christiano, (todo ano ele tinha tal despesa e a fazia com gosto), ofereciam ele e a esposa farta mesa de biscoitos, doces, não somente aos examinadores, mas a todos os alunos presentes. Tudo o Professor pagava e com que prazer o fazia! Esse era o homem que todos temiam, antes de entrarem em contato com ele. Dias depois, todos eram seus amigos. Sim, o Mestre Christiano tratava a todos com igual carinho e desvelo.

Quanto ganhava o professor primário daquele tempo'? A vultosa quantia de 128$333 (sejam: Cr$ 128;33) por mês. Não era por dia, não.

Além, tinha um belo sítio, a dois quilômetros da sede, de onde recebia o leite com fartura e cereais que mandava cultivar. Pôde o Mestre Christiano educar os filhos que desejaram estudar. É seu filho renomado educador Professor Jose Borges de Moraes o Barão de Macaúbas mineiro. E, por coincidência, se o baiano se chamava ABILIO CESAR BORGES, o nosso chama-se JOSE BORGES. Estudou no famoso Colégio do Caraça e na Escola Normal de São Domingos do Prata. Foi professor em: Sem Peixe, Alvinópolis, diretor de grupo em Rochedo, Guarani e Rio Pomba. Foi designado Fiscal de Exames para os Colégios de Ubá, Viçosa e outras cidades. Por onde passava enriquecia seu vasto círculo de amizades. Reorganizou e pôs em funcionamento o antigo Ginásio de Rio Pomba, que depois adquiriu e fez do mesmo um educandário modelo. Interessando-se o Estado na aquisição do citado ginásio, passou-o ao Governo, que fez no mesmo vários melhoramentos, como: campo de jogos, piscina, etc. Já -com seus setenta e dois anos, ainda é o Diretor do Colégio Estadual de Rio Pomba. Não mais ginásio.

D. Maria Constança de Moraes fez o curso de normalista em S. D. do Prata e foi substituta de seu digno Pai, em Alfié, quando se transferiu para a cidade de Antônio Dias, como Professor do Grupo Escolar local, a fim de poder aposentar-se com um melhor vencimento - Cr$ 160,00 por mês!

Joaquim Constância de Moraes, depois de um curso particular com o professor Pedro Clementino em D. Silvério, resolveu enfrentar a vida de modo diferente. Reside em Alfié. Abelardo de Moraes, que fez o curso de humanidades na Escola Apostólica do Caraça, foi também professor em Sem Peixe, (Alvinópolis), de 1915 a 1921. Já casado, foi-para Belo Horizonte, em 1920, onde fez o curso de guarda-livros com o insigne professor Tito Novais. Voltando para D. Silvério foi guarda-livros da maior firma da cidade: Quintão & Horta. Em Raul Soares, dirigiu, pelas colunas do jornal «Vila Matipó», a luta 'política de 1923, saindo-se dela galhardamente. Em 1926 / 27, foi guarda-livros da maior firma atacadista de Rio Casca Abdo Kuri & Irmãos. Pensando já na educação dos filhos, (àquela altura já tinha três), transferiu-se para Belo Horizonte, já como funcionário do Banco fio Comércio e Indústria de Minas Gerais. Fez concurso para a Secretaria das Finanças, onde ingressou em 1929. Novo concurso de Contabilistas Técnicos fez, na própria Secretaria das Finanças, saindo classificado e nomeado Contador do Instituto de Previdência, cargo que ocupou até 31 de agosto de 1955, quando se aposentou. Além, esteve em comissão, Como Contador, na Secretaria da Agricultura e no Tribunal de Contas do Estado. Alonso de Moraes ex coletor de São Domingos do Prata, fez um curso particular com o extraordinário professor José Cândido Gomes.

D.  Nair de Moraes e D.  Constança Moraes são normalistas pelo Colégio N. S. Auxiliadora, de Ponte Nova, exerceram o magistério — a primeira como Diretora das Escolas Reunidas de S. José do Goiabal e a segunda como Diretora do Grupo Escolar de Dionísio, hoje, aposentadas. D. Maria Luiza de Moraes fez, Curso no Colégio Coração de Jesus, em Belo Horizonte. É professora em Goiabal, no Grupo Escolar Imaculada Conceição. Alberto Moraes estudou na Escola Apostólica do Caraça. Depois do segundo ano, veia exercer, cá fora, a profissão de guarda-livros.

Os demais, quiçá pela repercussão da guerra 1914-1918 no seio das nações, trazendo consequências desastrosas que penetraram em todos os lares, talvez essa a, causa de os demais filhos haverem ficado somente com o curso primário. Alto custo de vida, trazendo dificuldades nunca antes esperadas. Cumpriu fielmente seu dever de pai, cidadão e professor.

A 1 de maio de 1933, confortado com os sacramentos da Santa igreja Católica, entregou, como um justo que era, sua alma a Deus.

A lápide sepulcral fechou para sempre o seu corpo, mas a sua memória perdurará, «in aeternum» viva nos corações de quantos tiveram a dita de com ele conviver. Era amicíssimo de meus pais, como, aliás, toda a família Moraes o era e ainda conservamos acesa essa luz bendita, herança que os nossos nos deixaram. Finou-se com o Professor Christiano uma vida preciosíssima. As qualidades mais eminentes eram as galas de sua Personalidade. Todos os atos de sua vida foram pautados pelo dever e pela bondade. Foi, durante longos anos, presidente da Conferência de. S. Vicente de Paulo e isso basta para recomendar-lhe a memória. Passou pelo mundo praticando o bem. A sua morte foi lamentada por quantos conheceram, justamente por ter sido ele o homem que não se contentava em ter DEUS só para si, mas que tudo fazia para que fosse conhecido e amado pelos que ainda O não conheciam. Sobre seu túmulo solto a voz do meu coração, rendo à sua memória a mais comovida e sincera homenagem. O vácuo que deixou é impreenchível Dorme querido Mestre, o sono dos justos.
Enquanto o coração do povo for susceptível deste sentimento — a gratidão — viverás, querido Mestre na lembrança de todos, e todos hão de murmurar teu nome com veneração e saudade: Deixas-te filhos, parentes e amigos que não mais te verão, nunca mais receberão teus conselhos, teus favores, teu sorriso amigo. Teu coração, sob lousa fria, não mais palpitará aos doces nomes de bom amante e esposo, que sempre foste, de extremoso pai, de fiel amigo, de amigos e consolo da pobreza. Meu querido Mestre, lá da luminosa mansão dos justos, onde habitas, olha para aqueles que te pranteiam. Partiste para sempre. Não mais rirás com as alegrias e nem mais chorarás com os pesares dos teus. Agora, que o juízo da terra, acrisolado na poeira do sepulcro, pode pesar imparcial e seguramente o teu passado, tracemos, repassados da mais sentida saudade o pequeno esboço da figura agigantada de Christiano — o Professor que se foi.

Em suas relações -particulares, tornava-se sempre amado e respeitado; de um trato ameno, de uma afabilidade e polidez agradáveis, não sabia distinguir a pobreza da riqueza; sabia aquilatar as pessoas mais pelas suas qualidades morais do que pela sua posição, sem faltar, todavia, as atenções de civilidade; compreendia perfeitamente que a caridade e beneficência são virtudes mais nobres e as exercia com todo o seu coração. Esses princípios que praticava com simplicidade e por índole, sem alarde, granjearam-lhe simpatia e afeições e acordaram em muitos corações um sentimento profundo de dor, quando ocorreu seu passamento.

Dorme em paz, querido Mestre! Recebe o modesto preito de saudade e de gratidão do discípulo que nunca te esqueceu. Esquecer-te-á, sim, quando, um dia, também for para o encontro contigo.
Toda vez que passo por uma escola ou grupo escolar, e toda vez que ouço a voz de um professo ou professora, parece-me ouvir-te a voz e recordo-me, e, com saudade, do tempo que passei em tua escola, aprendendo tanto, quando eras o professor e eu o tem aluno!!!
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Bendigo a Deus que nos deu tão insigne Professor. Não, jamais me esquecerei de ti. Mestre Christiano. E vamos aguardar 1961, se Deus nos der vida, para uma celebração condigna de Primeiro Centenário de teu nascimento.

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Informações sobre família do Professor Christiano Moraes.

Pais: Manoel Lúcio de Moraes e Maria Carlota de Assis

Irmãos: 
Crispiniano de Assis Moraes, 
Luiz Gonzaga de Moraes, 
Manoel Lúcio de Moraes, 
Rita de Assis Moraes, 
José Batista de Assis Moraes, 
Arthur de Assis Moraes, 
Abelardo de Assis Moraes, 
Nestor de Assis Moraes
Maria de Assis Moraes

Esposas: Constança Rosa Borges e Maria José Fraga


Filhos do primeiro casamento - Constança Rosa Borges 
José Borges, 
Maria Constança
Joaquim

Filhos do segundo casamento - Maria José Fraga
Abelardo, 
Alberto, 
Lafayete, 
Helvécio, 
José Cecílio, 
Domingos, 
Maria Luzia, 
Geraldo, 
Manoel Lúcio, 
Constança, 
Nair 
Alonso