sexta-feira, 12 de outubro de 2018

DR. GOMES LIMA - Edelberto A. Gomes Lima



ANTÔNIO GOMES LIMA, CONHECIDO COMO DR. GOMES LIMA, UM DOS GRANDES VULTOS DA HISTÓRIA DE SÃO DOMINGOS DO PRATA E JUNTO COM OUTROS, SÓCIO FUNDADOR DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE MINAS GERAIS.

*EDELBERTO AUGUSTO GOMES LIMA.

Antônio Gomes Lima, que ficou conhecido como Dr. Gomes Lima, nasceu em São Domingos do Prata em 16 de junho de 1869. Era filho de Modesto Gomes Domingues e Maria dos Anjos de Lima (de Jesus, de solteira).

Foi casado com Isabel da Luz que, após o matrimônio, acrescentou o nome de família do marido, passando a chamar-se Maria Isabel da Luz Gomes Lima.

Era irmão dos também pratianos Joaquim Augusto Gomes Lima, Altina Rosa de Lima, Narcisa Rosa de Lima e Virgílio Lima.

De seus sobrinhos, entre outros, cito os filhos de Joaquim Augusto Gomes Lima, quais sejam: Manoel Martins Gomes Lima, Modesto Domingues Gomes Lima e Alcina Gomes Lima, todos pratianos.
Três dos irmãos são nomes de ruas em São Domingos do Prata, incluindo o próprio Dr. Gomes Lima, como era conhecido Antônio Gomes Lima. Sendo que Virgílio Lima é nome de rua mais em João Monlevade.
Antônio Gomes Lima fez seus estudos primeiramente em Ouro Preto quando ainda capital do Estado e o curso superior nas Faculdades de Direito de São Paulo e do Rio de Janeiro e em 1892, transferiu-se para a Faculdade Livre de Direito em Ouro Preto (embrião da atual Faculdade Federal de Direito de Belo Horizonte), bacharelando-se em 1893. 
Em seu último ano na Faculdade ele (juntamente com Alfredo Guimarães e Carvalho de Brito), responsabilizou-se pela redação do periódico “Imprensa Acadêmica”, órgão da Academia de Direito de Minas.
O jornal de seu torrão natal, “A Voz do Prata”, noticiou, em edição de novembro de 1893:
“Depois de ter recebido o grau de bacharel em direito na Escola Livre deste Estado, chegou a 29 do passado a esta cidade, o Sr. Dr. Antônio Gomes Lima. Foram ao seu encontro diversos cavalheiros indo até a residência de seu respeitável pai.......”
Em 1891, ainda estudante, tornou-se, por breve período, juntamente com seu parente, Manoel Coelho de Lima, membro da Comissão de Intendência que passou a governar São Domingos do Prata até a realizações de eleições.
Logo depois de formado radicou-se novamente em São Domingos do Prata tendo o jornal “A Voz do Prata”, em sua edição do dia 15 de outubro de 1893, noticiado ter o mesmo sido nomeado Promotor Público da Comarca de São Domingos do Prata.
O referido periódico em sua edição de 31 de março de 1895 dava a notícia de seu pedido de exoneração do cargo de Promotor de Justiça. Em julho do mesmo ano, conforme publicado no jornal “O Minas Gerais”, em sua edição de 6 de julho, foi nomeado Juiz substituto da Comarca de Alfenas.
O jornal “Minas Gerais”, em sua edição de 13 de setembro de 1898, publicava a nomeação, por decreto do dia 12 de setembro do mesmo ano, para o cargo de Secretário da Polícia.
Em 1902, fruto ainda de sua competência, foi nomeado Chefe da Polícia do Estado de Minas Gerais, cargo este que passou a ser denominado de Secretário de Segurança Pública e atualmente Secretário de Defesa Social.
Posteriormente foi presidente do Banco Crédito Real de Minas Gerais que sempre teve, enquanto existiu, a sua sede em Juiz de Fora. Foi também, a partir de 1913, Presidente do Banco do Brasil no Rio de Janeiro.
De 1907 a 1908 foi Senador estadual por Minas Gerais.
O Senado Estadual era uma das Casas do poder legislativo dos estados, existentes durante a chamada República velha.
 Nessa fase da vida brasileira, a Constituição Federal permitia que os Estados, desde que não contrariassem a forma republicana e os princípios constitucionais inseridos na Carta Magna, organizassem o seu próprio sistema federativo, podendo adotar o unicameral (apenas Câmara de Deputados, hoje Assembléia Legislativa) e ou a bicameral (Câmara de Deputados e Senado Estadual). Minas Gerais adotou o sistema bicameral.


SENADORES ESTADUAIS QUE FORAM ELEITOS, JUNTAMENTE COM O PRATIANO DR. ANTÔNIO GOMES LIMA, EM 1907

Em 10 de março de 1907, foram realizadas em Minas Gerais eleições para o SENADO ESTADUAL.
São Domingos do Prata elegeu um de seus mais brilhantes filhos, o Dr. Antônio Gomes Lima, conhecido como Dr. Gomes Lima.
Foram eleitos juntamente com o Dr. Gomes Lima, os seguintes senadores estaduais:
          Dr. Chrispim Jacques Bias Fortes.
          Dr. Delfim Moreira da Costa Ribeiro.
          Dr. Antônio Gonçalves Chaves.
          Coronel Antônio Martins Ferreira da Silva.
          Dr. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada.
          Dr. Camillo Augusto Maria de Britto.
          Dr. Gomes Freire de Andrade.
          Dr. Pedro da Matta Machado.
          Dr. Cornélio Vaz de Mello.
          Coronel Joaquim Baptista de Mello.
          Dr. Nuno da Cunha Mello.
          Coronel Francisco Ferreira Alves.
          Dr. Francisco Nunes Coelho.
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INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE MINAS GERAIS
Dr. Gomes Lima (Antônio Gomes Lima, segundo nome da ata, logo abaixo de João Pinheiro da Silva), foi também um dos fundadores, em 1907, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.



Fez parte da Comissão encarregada de elaborar os estatutos do Instituto, juntamente com outros componentes, entre os quais citamos alguns: Virgílio de Melo Franco, Antônio Benedito Valadares Ribeiro, Augusto de Lima, Nelson de Senna, Cel. Francisco Bressane, Prado Lopes, João Luiz Alves, Francisco Alves Junior, Olinto Meireles, Estevam Pinto, Pedro Sigaud, Major João Libano Soares, Rodolfo Jacob e o Cel. Júlio César Pinto Coelho.
Elaborado os estatutos, em 12 de julho de 1907 essa Comissão reunida elegeu a primeira Diretoria do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, sendo eleito Presidente o Dr. João Pinheiro da Silva, então Presidente (Governador) do Estado de Minas Gerais, pai do futuro Governador Israel Pinheiro.

A instalação ocorreu em 15 de agosto de 1907 em sessão solene na antiga Câmara dos Deputados, situada no prédio do Congresso Provisório, que existia na Av. Afonso Pena com Rua da Bahia.

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        No início de 1909, o Senador Dr. Gomes Lima renunciou ao cargo eletivo por ter sido nomeado Diretor do Banco Agrícola de Minas Gerais (depois Banco de Crédito Real), posto que ocupou até 1913. Posteriormente foi Presidente do Banco do Brasil com sede no Rio de Janeiro, então capital da República, onde passou a residir.
Constam de uma propaganda “da Mutua Central – Sociedade Mutua de Pecúlios” os nomes da diretoria cujos nomes transcrevo a seguir:
Presidente, Dr. Dr. José Vieira Marques, 1º secretário da Câmara dos Deputados ao Congresso Mineiro; Vice-Presidente, Dr. Antônio Gomes Lima, presidente do Banco do Brasil, Thesoureiro, Coronel José Guilherme de Almeida, industrial.
No Conselho Fiscal, entre outros, figurou os nomes de dois personagens históricos que foram Presidentes da República: Dr. Wenceslau Braz Pereira Gomes e Dr. Delfim Moreira da Costa Ribeiro.
Em 1911, graças ao seu prestígio junto ao Palácio da Liberdade conseguiu verba para construção de um Grupo Escolar em Dionísio, então Distrito de São Domingos do Prata. Essa Escola existe até os dias de hoje e, em gratidão, o povo local o homenageou dando-lhe o seu nome.
O Decreto nº 3.147, de 28/03/1911, foi assinado por Júlio Bueno Brandão, então Presidente do Estado de Minas Gerais e também por Delfim Moreira da Costa Ribeiro que, em 1918, seria Presidente do Brasil.
A grande indagação que se faz, era a razão pela qual levou a primeira escola estadual para Dionísio e não para a sede do município.
A resposta fui encontrar na notícia a seguir:
CRIAÇÃO DE GRUPO ESCOLAR ESTADUAL
EM SÃO DOMINGOS DO PRATA.
O jornal “O Imparcial”, em sua edição do dia 28 de fevereiro de 1908, noticiava:
“Devido a esforços do padre João Pio, secundado pelo Chefe do Executivo e mais membros da Câmara, parece que vai ser criado um grupo escolar nesta cidade, em vista da boa vontade que mostra o Dr. Carvalho de Brito de prestar serviços a este município.........”.

          Em minha opinião está aí a razão pela qual o Dr. Gomes Lima, em 1911, optou por levar um grupo escolar estadual, primeiramente para o distrito de Dionísio.




CRIAÇÃO DO GRUPO ESCOLAR ESTADUAL
EM SÃO DOMINGOS DO PRATA.
Para a sede do município a escola já estava prometida ao padre João Pio (posteriormente virou cônego). Como essa escola não virou realidade, em 1918, quando deputado federal, o Dr. Gomes Lima conseguiu a tão sonhada escola estadual também para a sede do município de São Domingos do Prata, escola essa que alfabetizou dezenas de gerações de pratianos e por ironia do destino, por volta de 1930, o dr. Edelberto de Lellis
Ferreira deu-lhe o nome de Grupo Escolar Cônego João Pio.
         Quando foi oficialmente inaugurada, em 1921, recebeu o nome de Grupo Escolar São Domingos do Prata.
O Decreto nº 5.065, de 13/08/1918, criando o Grupo Escolar foi assinado pelo então Presidente do Estado de Minas Gerais, Delfim Moreira da Costa Ribeiro. Três meses após, em 15.11.1918, ele se tornaria Presidente do Brasil.
O Dr. Gomes Lima conseguiu a verba e a autorização, mas o Grupo Escolar foi construído no mandato, como Agente do Executivo, de Egydio Lima (Capitão Dico).

VERBA PARA CONSTRUÇÃO DE UM HOSPITAL.
O jornal “O Prateano”, em sua edição de 10 de novembro de 1912, noticiava: “O Dr. Gomes Lima, filho que não se esquece desta terra que o faz vibrar, obteve dos Congressos deste Estado e da União, valioso auxílio para a fundação nesta cidade, de um hospital ou casa de caridade, onde os desvalidos encontrem lenitivo aos seus sofrimentos.”


PRIMEIRO PRATIANO SENADOR E DEPUTADO FEDERAL.
Ele foi também Deputado Federal por duas legislaturas, de 1915 a 1921. Foi, portanto, o primeiro pratiano a ser Senador e Deputado Federal.
O Centro de Documentação da Câmara de Deputados veicula ter sido ele Deputado Federal por duas legislaturas seguidas.
A 1ª de 1915 a 1918, tendo tomado posse em 03 de maio de 1915. A 2ª, de 1918 a 1821, sendo empossado em 02 de maio de 1918.
O jornal “A Voz do Prata”, edição de 10 de maio de 1918, noticiava a seguinte votação obtida em sua reeleição (o voto era distrital):
         Dr. Antônio Gomes Lima: 2.581 votos.
         Dr. Américo Ferreira Lopes: 1.252 votos.
         Dr. José Bonifácio de Andrade Silva: 901 votos.
         Ph. Bernardino de Senna Figueiredo: 455 votos.

Para Presidente da República, o seu antigo colega no Senado Mineiro, Delfim Moreira da Costa Ribeiro, havia obtido 1.390 votos, enquanto o Comendador Antônio Martins F. Silva: 368 votos. Delfim Moreira nessa eleição foi eleito Presidente do Brasil.
Já como Deputado Federal, além do Grupo Escolar acima noticiado, trouxe outros benefícios para o seu torrão natal. Entre outros citamos:
O jornal “A Voz do Prata”, em sua edição do dia 19 de novembro de 1916, noticiava que em breve seria inaugurado o serviço telegráfico na cidade.
Finalizava a notícia declarando que “de há muito o nosso distinto conterrâneo, exmo. Sr. Dr. Gomes Lima, representante deste Distrito na Câmara Federal, vem empenhando seus esforços perante os poderes públicos, a fim de conseguir para esta terra melhoramentos de que muito necessita para seu completo evoluir, figurando em primeiro plano o serviço telegráfico...”
Obtido este desiderato, é de se presumir que tenhamos de registrar, brevemente, a consecução de outros melhoramentos de suma importância para o município, como sejam: estrada de ferro, cadeia, casa do Fórum, vias de comunicação e outros, sendo alguns desses serviços de imprescindível necessidade (.......).
Obtido este desiderato, é de se presumir que tenhamos de registrar, brevemente, a consecução de outros melhoramentos de suma importância para o município, como sejam: estrada de ferro, cadeia, casa do Fórum, vias de comunicação e outros, sendo alguns desses serviços de imprescindível necessidade.......”.
Em 1931, o jornal “A Voz do Prata”, publicava:
         “Pelo nosso conterrâneo Dr. Antônio Gomes Lima, a quem esta terra muito deve, foi enviada a importância de 200$000 para os pobres do Hospital Nossa Senhora das Dores desta cidade (...)”
Em 1944, ele foi apontado por Abelardo de Morais como um dos grandes benfeitores de São Domingos do Prata.
A rua em frente ao prédio do Fórum leva o seu nome.

NOTA: Histórico sobre a criação do Grupo Escolar Cônego João Pio, da data de sua inauguração e de seus primeiros anos de existência pode ser encontrado em meu livro “São Domingos do Prata: Fragmentos de sua história”.
A seguir a capa da 1ª edição do livro, com a foto do Dr. Gomes Lima.


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O AUTOR SENDO APRESENTADO POR FÁBIO AMERICANO,
ASSOCIADO EFETIVO DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO
DE MG E NATURAL DE DIONÍSIO.
DR. EDELBERTO AUGUSTO GOMES LIMA.
"A causa de minha aproximação com o Dr. Edelberto Augusto Gomes Lima é uma vocação que temos em comum: estudos e pesquisas das histórias de nossa região.
Edelberto é sem dúvida um dos mais destacados historiadores de nossa região e em especial de São Domingos do Prata. É um privilégio para os pratianos de todos os tempos terem alguém como ele para organizar e disponibilizar as memórias dos eventos da região, da cidade e das famílias.
Os estudos e pesquisas apresentados por Edelberto são amplos, detalhados, criteriosos, cuidadosos e reúnem e organizam as evidências documentais dos fatos históricos de uma forma incontestável.
As histórias apresentadas por Edelberto estão isentas de paixões ideológicas de qualquer índole, ele se prende às notícias e aos fatos valorizando as evidências documentais e não se preocupando em momento algum em emitir juízos a respeito dos mesmos.
Tenho aprendido muito com ele e uma das coisas que me ensinou é que também sou um Pratiano. Um dia ele me perguntou em que ano eu nasci, e em seguida emendou; veja se na sua certidão você não está registrado como nascido em São Domingos do Prata. Neste momento ele uniu minha condição de Dionisiano à condição de Pratiano.
Dionísio tem como terra mãe São Domingos do Prata, Dionisianos e Pratianos sempre existiram juntos e misturados. São as mesmas famílias, as histórias são integradas, interligadas; não há como separar.
Minha gratidão ao Dr. Edelberto pelo precioso material que nos tem legado, pelo que me ensina, pelo que colabora comigo e recentemente por nossa amizade".
Fábio Americano – BH – agosto 2016.


*O artigo acima foi reproduzido no livro de nº 14, abaixo.

LIVROS DO AUTOR:                                                                                      
1 - “São Domingos do Prata: Berço e Origem”. (1ª 2ª e 3ª edição).
2- “Revivendo a história de São Domingos do Prata”.
3 - “São Domingos do Prata: Fragmentos de sua história”.
4- “Recontando a história de São Domingos do Prata”
5- “Dr. Gomes Lima, um dos grandes vultos da história de São Domingos do Prata”. 1ª e 2ª edição ampliada).
6- “Notas biográficas de Manoel Martins Gomes Lima, Janua Coeli de Lellis Ferreira e Dr. Edelberto de Lellis Ferreira - Três pratianos da gema”.
7- “Quatro prefeitos de São Domingos do Prata da primeira metade do século XX”.
8- “Notas sobre alguns prefeitos e eleições em São Domingos do Prata de 1890 a 1947”.
9 – “São Domingos do Prata no período imperial.” (1ª e 2ª edição ampliada).
10 -“Sabará na imprensa do império”.
11 - “Sabará: Fragmentos de sua história no período imperial”. (1ª e 2ª  edição atualizada e ampliada). 
12 - Livro digital “São Domingos do Prata: Centro irradiador de mineiridade”, contendo os livros de n.º 1 – 2 – 4 – 5 – 6 e 8 acima.
13 – Seleção de notícias sobre São Domingos do Prata antigo.
14 – Genealogia de alguns ascendentes e descendentes – Famílias das quais descendo, todas com raízes fincadas em São Domingos do Prata: Gomes Lima, Martins Vieira, Marques Vieira ou Vieira Marques, Gomes Domingues, Lellis Ferreira, Santiago. (1ª e 2ª edição atualizada e ampliada).


domingo, 29 de julho de 2018

MANOEL MARTINS VIEIRA


PRIMEIRO CHEFE DO EXECUTIVO DE SÃO DOMINGOS DO PRATA.
UM DOS MAIORES BENFEITORES DO MUNICÍPIO.

Em 1890, um ano após a instauração da República, uma comissão da qual Manoel Martins Vieira fez parte, dirigiu-se até Ouro Preto para reivindicar a criação do município de São Domingos do Prata, já então, desde o período imperial, a mais próspera Vila da região leste do Estado de Minas Gerais.
Em 1º de março de 1890, foi expedido o decreto criando o município, tendo Manoel Martins Vieira sido nomeado Presidente da Comissão de Intendência, tornando-se assim o primeiro chefe do Poder Executivo no município.
De plano, em abril de 1891, ainda como Presidente da Comissão de Intendência, Manoel Martins Vieira edita o Código de Posturas e Regimento Interno, diplomas legais avançados para a época, regulamentando o funcionamento da máquina administrativa e delimitando os direitos e deveres dos habitantes.
Os textos dos diplomas legais estão transcritos, na íntegra, no livro “São Domingos do Prata Subsídios Para a História”, páginas 90 a 133, de autoria do frei Thiago Santiago.
Na eleição realizada em setembro de 1891, a primeira no município, candidatou-se e foi eleito para vereador. Esta Câmara, como relatado em meu livro “Recontando a história de São Domingos do Prata”, renunciou em quase toda a sua totalidade (restou somente um vereador), incluindo o primeiro Agente do Executivo eleito pelo povo.
A partir daí ocupou diversos cargos de relevo, tanto no legislativo como no executivo. Sobre ele declarou Luiz Prisco de Braga em seu livro História de São Domingos do Prata: “Um vulto a quem o município muito deve. Político moderado. Exerceu cargos efetivos e de nomeação”.
Em face de sua forte liderança, foi ainda eleito presidente do Diretório Político Municipal, função na qual pode muito ajudar no progresso de sua terra natal.
Os seus contemporâneos, em reconhecimento à sua liderança e muito do realizado em favor da comunidade, homenagearam-no dando o seu nome à principal Praça da cidade, popularmente conhecida pelo povo como Praça da Matriz, posto nela se localizar a antiga matriz.

FALECIMENTO DE MANOEL MARTINS VIEIRA.
Depois de ficar prostrado ao leito tentando se recuperar de um mal que lhe acometeu, ele, prematuramente, veio a falecer às três horas da tarde do dia 26 de fevereiro de 1909.
O jornal “A Voz Prata”, ao anunciar a sua morte, em suprema síntese, disse:
“Político militante neste município, a cuja história está seu nome ligado desde os tempos da propaganda republicana. Era dotado de espírito altruísta e conciliador, muita vezes esquecendo-se de si, para amparar seus amigos e correligionários.”
O jornal “O Imparcial”, também deu grande destaque ao acontecimento relatando, em síntese:
“(........) Eram dez horas da manhã. Grande número de cavaleiros chegava à fazenda do Paiva, cujo aspecto era constrangedor. Na sala transformada em câmara ardente, estava o morto. As lágrimas confundiam-se. Dentro em pouco sairia o féretro a caminho da cidade. Ali chegando foi o féretro depositado em casa de Manoel Fernandes Barros genro do extinto. (Foi o primeiro esposo da sua filha Rita Martins Vieira).
O enterro foi marcado para 4 horas da tarde. Notamos grande número de amigos do morto e representantes de todas as classes sociais que acompanharam a saída fúnebre até a matriz (..........).
(....) Isso feito, seguiu o enterro para o cemitério do Rosário, onde falaram os srs. Ilídio Lima, Dr. Alonso Starling, padre Pedro Domingues e Egydio Lima, (capitão Dico)......”.
O seu passamento, em face da liderança exercida no município, liderança esta alicerçada nos inúmeros benefícios carreados à comunidade e ao trato sempre respeitoso aos seus habitantes, provocou verdadeira comoção.
Na oportunidade, uma comissão popular, representada por figuras ilustres da cidade, doou à Municipalidade, um retrato do falecido, que deveria ficar exposto no salão de reuniões da Câmara, que na época, funcionava no prédio antigo da Prefeitura.
         Do jornal “O Prateano”, extraí os seguintes trechos:
         “Imponente, magistrais, indescritíveis mesmo a solenidade de colocação do retrato do grande pratiano, Manoel Martins Vieira.
         A comissão popular representada pelos capitães Albano Ferreira de Moraes, Cornélio Coelho da Cunha, Alziro Carneiro e os Srs. Antônio Gomes Domingues e Manoel Nepomuceno, que adquiriu em Itália o retrato do ilustre extinto, ofertou-o à Municipalidade, em nome do povo. Cabia a esta o dever de colocá-lo, condignamente, no salão de suas reuniões. (...).
(....) As crianças das escolas públicas, acompanhadas das exmas. Professoras D. Maria Joaquina Pinto Coelho e Rita Martins Vieira (filha dele) estiveram presentes a toda a festividade recebendo assim uma proveitosa lição de civismo.
Durante a missa, a banda de música São Domingos, regida pelo maestro Linhares, executou diversas marchas.
Após a missa foi o retrato de Manoel Martins Vieira levado em triunfo ao som de maviosas marchas e ao estrepitar de fogos, da farmácia Lima (de propriedade de Joaquim Augusto Gomes Lima, casado com a filha do falecido, Nicolina Martins Vieira), para a casa da Câmara.
(........) Incorporados, os vereadores municipais receberam em frente à casa da Câmara.
Apesar de vasto, o Paço da Câmara não comportou a quinta parte da fina flor da sociedade pratiana que ali se achava presente.
Recentemente pintado, a mando do atual Presidente, o salão da Câmara apresentava um aspecto solene, digno do ato que ali se ia praticar, a glorificação do MAIOR FILHO DO PRATA.” (letra garrafal por minha conta).
Além da presença maciça do povo, compareceram as mais altas autoridades da cidade, inclusive o Juiz de Direito, Antônio Fernandes Pinto Coelho, que foi o orador oficial e Egydio Lima.
            Egídio Lima (Capitão Dico), falou em nome da Câmara Municipal, agradecendo a oferta preciosa que o povo fazia à Edilidade deste município, assegurando que os vereadores municipais terão como farol e guia, na estrada por onde deve trilhar este município, o espírito benfazejo e pacífico, do grande filho do Prata: Manoel Martins Vieira.
Outros oradores participaram, incluindo representantes dos distritos. No final, ecoaram estrepitosas salvas de palma, envoltas com os sons do hino nacional.
         Em síntese, disse o Juiz de Direito em seu discurso:
         ‘(....) à memória do povo pratiano vinha significar a sua imensa gratidão para com aquele que em vida foi o maior propagador do verdadeiro engrandecimento deste município que se orgulha de ter sido o berço natal de tão prestimoso filho, para com aquele que consagrou toda a sua vida, trabalhando e velando pelo bem estar do povo de que ele foi o anjo tutelar (......)’.
         Suas últimas palavras foram abafadas por prolongadas e estrepitosas salvas de palmas, envoltas com os sons patrióticos do hino nacional.”


         O PRÉDIO DA ANTIGA PREFEITURA.
Prédio da Prefeitura e antiga Praça Manoel Martins Vieira.
 O decreto nº 23, de 1º de março de 1890, que criou o município de São Domingos do Prata e elevou o povoado de Freguesia para Vila (somente em 3 de março de 1891, a Vila foi elevada a Cidade), dispunha:
       “A nova vila será instalada depois que os respectivos habitantes ofereçam e transfiram ao domínio do Estado os prédios precisos para cadeia, paço da intendência ou câmara municipal e escola de instrução primária para ambos os sexos.”

         Em cumprimento a determinação legal, foi construído o prédio da antiga prefeitura. Não consegui apurar se a obra foi construída por Manoel Martins Vieira ou Manoel Coelho Gomes Lima (conhecido por Manoel Coelho de Lima). Só sei que foi um dos dois.

         Quando de sua construção o imóvel passou a abrigar, até que se construísse o do novo fórum e cadeia, as dependências da Prefeitura (Paço Municipal), da Câmara de Vereadores, da cadeia pública, o fórum e o salão do Júri.

         Não sei precisar a data da construção do novo fórum e cadeia, embora tenha sido no período do mandato do Capitão Dico (Egídio Gomes da Silva Lima), que perdurou até 31.12.1922.

Fórum e cadeia pública
         Em meu livro “Revivendo a história de São Domingos do Prata”, consta, às páginas 124/127, que em 1912, o Capitão Dico já teria doado o terreno.

         Contudo, com certeza, até o final de 1918 tal não ocorreu, em face do artigo 1º da Lei estadual nº 721, de 30 de setembro de 1918, a seguir transcrito:

“Art. 1º - Fica o Presidente do Estado autorizado a doar à Câmara Municipal de São Domingos do Prata, assinando a respectiva escritura, a parte que o Estado possui na casa em que funcionam, atualmente, a Câmara Municipal, a cadeia e o tribunal do Júri, sita à praça ‘Manoel Martins’, esquina da rua padre Pedro, da mesma cidade, incluindo-se na doação um terreno de vinte palmos de frente, dividindo com dr. Alonso Starling, Antonio Coura, ribeirão Prata e a rua padre Pedro, por cujo terreno passa o esgoto da cadeia, ficando igualmente cedidas todas as servidões no dito terreno, avaliado em um conto de réis.”

O prédio da antiga prefeitura ficava na Rua XV de Novembro (atual Rua Capitão Albano de Morais), em frente à Praça Manoel Martins Vieira (atual Dr. José Mateus de Vasconcelos) e esquina da Rua 21 de Abril (atual Padre Pedro Domingues).


BAILES NO PRÉDIO DA ANTIGA PREFEITURA.
Em ocasiões especiais eram realizados bailes no Salão do Júri. A animação ficava por conta de sanfona, acordeão e violão.
Pelo menos até quando pesquisei, esses bailes perduraram até 1945, como se depreende da noticia a seguir:

           BAILE EM HOMENAGEM AO FARMACÊUTICO MANOEL MARTINS GOMES LIMA.

           O jornal “A Voz do Prata”, edição de 29 de abril de 1945, com o título acima em letras garrafais anunciava:

            “A sociedade pratiana homenageará na noite de hoje o ilustre Prefeito Municipal Farm. Manoel Martins Gomes Lima, oferecendo-lhe um suntuoso baile no salão nobre da Prefeitura, para o que fez distribuir o seguinte CONVITE:

            A Comissão organizadora tem a honra de convidar V. Exma. Família para o baile que será oferecido ao Exmo. Snr. Manoel Martins Gomes Lima, D. D. Prefeito Municipal, no salão da prefeitura no próximo dia 29.

             São Domingos do Prata, 27 – 4 – 945.
                            A COMISSÃO”.

            Em 13 de maio do mesmo ano, o periódico acima mencionado, destacava:

        “Constituiu grande acontecimento social o baile que domingo passado a sociedade pratiana ofereceu ao Prefeito Manoel Martins Gomes Lima. Saudando-o interpretou o sentimento dos presentes o Sr. Francisco de Paula Carneiro de Moraes (Chiquito de Moraes), tendo S.S. agradecido.”


    ALGUNS DADOS FAMILIARES DE MANOEL MARTINS VIEIRA.
Manoel Martins Vieira nasceu em São Domingos do Prata em 08 de outubro de 1854 e faleceu em 26 de fevereiro de 1909. Sua esposa Albina Marques Vieira (ou Vieira Marques), nasceu em Barão de Cocais em 1860, vindo a falecer em São Domingos do Prata, em 20 de novembro de 1947.

Manoel Martins Vieira nasceu na fazenda dos “Martins”, hoje situada no município de Goiabal. Depois de casar-se com Albina Marques Vieira fundou a fazenda “Cachoeira”, no mesmo terreno da fazenda dos “Martins”, onde foi morar com a sua esposa.

O seu sogro era José Vieira Marques (casado com Rita Maria de Jesus) e foi o fundador e proprietário da famosa fazenda do Paiva, existente até os dias de hoje.

Falecendo o seu sogro, foi morar com a sua esposa na fazenda do Paiva, tornando-se proprietário da mesma. Ali morou e nasceu e criou os seus treze filhos.

         Os pais de Manoel Martins Vieira foram José Martins Vieira e Emerenciana Martins de Jesus. Os restos mortais de Manoel Martins Vieira e de sua esposa estão sepultados no cemitério de igreja do Rosário em São Domingos do Prata.

SEUS FILHOS, GENROS E NORAS FORAM:
Nicolina Martins Vieira (Cota – Foi casada com o farmacêutico Joaquim Augusto Gomes Lima), Maria Carolina Martins Vieira (casada com Duval Mendes), Rita Martins Vieira (Quando viuvou casou-se com o também viúvo Coronel Manoel Olympio Magalhães), Carmem Martins Vieira (Carmita), que se casou com José Raimundo Moreira e foi residir em Barão de Cocais, onde criou família e raiz. Maria Martins Vieira (casou com Clóvis Ferreira Mendes, irmão de Duval Mendes), Maria José Martins Vieira (Zita era irmã gêmea de Rita Martins Vieira), casou com Pedro Vieira Marques, Ciro Martins Vieira, José Vieira Lima, Artur Martins Vieira, casou com Alice Mendes, irmã de Duval Mendes e filha de Francisco Ferreira Mendes, João Martins Vieira (Dão), Virgolina Martins Vieira, que se casou com João Gomes de Figueiredo Júnior, Maria José Martins Vieira, Mário Martins Vieira, Manoel Martins Vieira.
Um de seus filhos tinha o apelido de TANÉ (não consegui apurar o seu nome). Ele foi casado com Constância Mendes, também da família Mendes.
 SEUS IRMÃOS:
Joaquim Martins Vieira, José Martins Vieira, Antônio Martins Vieira, Quintiliano Gomes Martins Vieira, Anna Jacinta Martins Vieira, Emília Martins Vieira e Carolina Martins Vieira.
 SEUS CUNHADOS:
Maria Rita Vieira, Narciza Vieira Marques, Maria Clara de Araujo, Maria Joana Domingues, Leandro Gomes Domingues, José Cornélio Silva Perdigão, João Manoel Domingues, Alenir Magalhães Vieira e Cipriano Vieira Marques.
Deixou milhares de descendentes espalhados pelo país, dezenas deles ainda residentes em São Domingos do Prata e outro tanto na região leste do Estado e em Belo Horizonte.

NOTA: Os fragmentos acima foram extraídos de diversos de meus livros sobre São Domingos do Prata antigo, cuja relação publico a seguir:

*Edelberto Augusto Gomes Lima.  

– Advogado aposentado, membro do Conselho Editorial da Editora Del Rey, ex-coordenador do Departamento Jurídico da Associação Comercial e Empresarial de Minas e da Federaminas (Federação das associações comerciais do Estado de Minas Gerais) e autor dos seguintes livros:      
1 - “São Domingos do Prata: Berço e Origem”. (1ª, 2ª e 3ª edição).
2- “Revivendo a história de São Domingos do Prata”.
3 - “São Domingos do Prata: Fragmentos de sua história”.
4- “Recontando a história de São Domingos do Prata”

5- “Dr. Gomes Lima. Um dos grandes vultos da história de São Domingos do Prata”.

6- “Notas biográficas de Manoel Martins Gomes Lima, Janua Coeli de Lellis Ferreira e Dr. Edelberto de Lellis Ferreira - Três pratianos da gema”.

7- “Quatro prefeitos de São Domingos do Prata da primeira metade do século XX”.

8- “Notas sobre alguns prefeitos e eleições em São Domingos do Prata de 1890 a 1947”.

9 – “São Domingos do Prata no período imperial.”

10- Livro digital “São Domingos do Prata: Centro irradiador de mineiridade”, contendo os livros de n.º  1 – 2 – 4 – 5 – 6 e 8 acima.

11. “Genealogia de alguns ascendentes e descendentes, todos com raízes fincadas em São Domingos do Prata ...........”.

12 – “Seleção de notícias sobre São Domingos do Prata antigo.”

13 -“Sabará na imprensa do império”.

14 – “Sabará: Fragmentos de sua história no período imperial”.


NOTA: Alguns dos livros acima, inclusive os sobre Sabará, poderão ser encontrados, entre outras, no acervo da biblioteca do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, nas bibliotecas da Faculdade de Sabará, na municipal de Sabará e na de três Colégios de São Domingos do Prata, além da Casa de Cultura Chiquito de Morais.